BRASÍLIA/DF — Encher o tanque e comprar um botijão de gás de cozinha poderão pesar mais no orçamento das famílias em 2027. A partir de 1º de fevereiro, o ICMS cobrado sobre gasolina, diesel e GLP terá valores maiores, conforme os Convênios ICMS nº 127 e nº 128, aprovados pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Para um abastecimento de 50 litros de gasolina, a diferença no imposto será de R$ 3,50. No botijão de 13 quilos, a parcela adicional corresponderá a R$ 0,91.
Esses números mostram o aumento do tributo, não um reajuste garantido do preço nas bombas ou nas revendas. O repasse dependerá das condições do mercado. Além disso, uma manifestação divulgada pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em 3 de novembro de 2026 confirmou que os estados ainda avaliam diminuir a atualização prevista para o diesel, sem anunciar uma decisão substitutiva.
Quanto o ICMS da gasolina, do diesel e do gás vai aumentar em 2027?
Na gasolina, o imposto fixo passa de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro, acréscimo de R$ 0,07. No diesel e no biodiesel abrangidos pelo regime monofásico, a alíquota vai de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, diferença de R$ 0,13. Já o GLP e o GLGN passam de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo, também com aumento de R$ 0,07 por unidade.
Em termos percentuais, são elevações de cerca de 4,5%, 11,1% e 4,8%, respectivamente, sobre o próprio imposto. É incorreto concluir que o preço total da gasolina subirá 4,5% ou que o diesel ficará 11,1% mais caro por causa dessa decisão. O percentual incide sobre a parcela tributária específica, e não sobre todo o valor pago pelo consumidor.
Quanto a mais um motorista pode pagar para encher o tanque?
Uma conta simples ajuda a dimensionar o novo ICMS. Em 50 litros de gasolina, os R$ 0,07 adicionais por litro totalizam R$ 3,50. Se o motorista fizer quatro abastecimentos desse volume no mesmo mês, a diferença tributária acumulada será de R$ 14,00. Para quem abastece somente 30 litros, o acréscimo de imposto na operação será de R$ 2,10.
Essas simulações pressupõem que todo o adicional tributário seja transmitido ao preço final, sem compensações por outros fatores. O combustível pode ficar mais barato por alterações de custos ou margens, mesmo com o imposto maior; também pode subir mais do que essa diferença se houver outros reajustes. Portanto, não se trata de previsão para um posto ou cidade específica.
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E o diesel: quanto muda para o caminhoneiro e para o frete?
O diesel apresenta o maior aumento proporcional do imposto. Se prevalecer a alíquota de R$ 1,30 por litro, o acréscimo em um abastecimento de 100 litros será de R$ 13,00. Em 300 litros, diferença de R$ 39,00. Em operações de transporte de longa distância, somar várias compras ao longo do mês ajuda a compreender por que empresas de logística acompanham o assunto.
O custo adicional pode influenciar negociações de frete e, indiretamente, o transporte de alimentos e mercadorias. Mas o repasse não é obrigatório nem segue uma fórmula única. Contratos, concorrência, preço do combustível sem imposto e produtividade das operações também interferem. A evolução dos custos logísticos depende do conjunto dessas variáveis, não apenas de uma alíquota estadual.
Os estados ainda podem mudar o reajuste do diesel?
Sim, existe uma discussão em andamento, mas não uma nova decisão. Em comunicado de 3 de novembro, o Comsefaz esclareceu que os estados estudam alternativas jurídicas para reduzir o montante da atualização prevista pela metodologia da Lei Complementar nº 192/2022. O órgão relaciona o debate à instabilidade internacional dos derivados de petróleo e ao peso do diesel na economia.
A informação não significa que o ICMS do diesel já tenha sido reduzido ou que o reajuste tenha sido cancelado. Até a divulgação de novo ato, o valor aprovado no Convênio nº 128/2026 permanece como referência para fevereiro de 2027. O Comsefaz também explicou que a discussão é sobre o valor do ajuste, não sobre antecipar a data em que ele produzirá efeitos.
O botijão de gás de 13 quilos vai ficar R$ 0,91 mais caro?
A diferença do ICMS é de R$ 0,07 por quilo. Em um botijão doméstico de 13 quilos, o cálculo resulta em R$ 0,91 a mais de imposto. Isso não significa que as revendas passarão obrigatoriamente a cobrar exatamente R$ 0,91 a mais. O preço do gás inclui aquisição, envasamento, distribuição, entrega e margens comerciais, que podem variar de uma cidade para outra.
Para famílias que compram gás periodicamente, acompanhar os preços locais é mais útil do que aplicar o percentual de 4,8% sobre toda a etiqueta. Esse percentual diz respeito à elevação do ICMS por quilo. Uma variação de preços no varejo pode ser maior, menor ou até seguir na direção oposta à alteração do tributo.
Por que o imposto sobe mesmo sem aumentar a alíquota percentual?
Desde 2023, os combustíveis abrangidos pela Lei Complementar nº 192/2022 seguem um modelo de tributação monofásica do ICMS, com cobrança concentrada em uma etapa da cadeia. A alíquota é chamada de ad rem porque corresponde a um valor fixo em reais por litro ou por quilo, e não a um percentual calculado a cada venda.
A legislação prevê atualização periódica com base em metodologia vinculada aos preços médios de mercado apurados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A revisão aprovada em outubro de 2026 busca atualizar essa parcela fixa para 2027. O fato de o ICMS ser recolhido em etapa anterior da cadeia não impede que o seu custo componha os preços pagos posteriormente nos postos e nas revendas.
Quando começa a cobrança e quais estados serão afetados?
Os Convênios ICMS nº 127/2026 e nº 128/2026 foram aprovados na reunião extraordinária do Confaz de 27 de outubro, publicados em 28 de outubro e ratificados nacionalmente. Seus efeitos estão previstos para 1º de fevereiro de 2027. Portanto, a alteração não começa em 1º de janeiro.
Como o sistema monofásico usa valores nacionais para os combustíveis alcançados, a atualização vale para operações sujeitas a esse regime em todo o país. Isso não significa preços iguais na bomba: o valor cobrado ao consumidor continua variando entre regiões, cidades e estabelecimentos. Também não se deve confundir a gasolina com o etanol hidratado vendido separadamente, que possui regras próprias de tributação estadual.
O aumento do ICMS é consequência da Reforma Tributária?
Não diretamente. O reajuste divulgado decorre das regras atuais do ICMS monofásico e foi aprovado pelo Confaz. A Reforma Tributária do Consumo, por sua vez, substitui PIS e Cofins pela CBS em 2027 e prevê a transição do ICMS para o IBS entre 2029 e 2033, com disciplina própria para combustíveis.
A coincidência do ano pode levar à interpretação de que todo imposto novo já está incluído nesses R$ 0,07 ou R$ 0,13. Não está. Os valores dos convênios dizem respeito especificamente ao ICMS. Para compreender o preço final em 2027, será necessário observar também as mudanças federais, os demais custos da cadeia e a regulamentação tributária aplicável a cada produto.
Como saber se os preços realmente subiram por causa do imposto?
O consumidor poderá comparar os preços praticados antes e depois de 1º de fevereiro de 2027, preferencialmente nos mesmos estabelecimentos e com o mesmo tipo de combustível. A ANP publica levantamentos periódicos de preços de gasolina, diesel e GLP por município, estado e região, o que ajuda a acompanhar a evolução do mercado sem depender de relatos isolados.
Mesmo uma alta registrada exatamente na data de vigência não permite atribuir automaticamente toda a diferença ao ICMS. Preços de refinarias e importadores, cotações internacionais, transporte, distribuição e margens comerciais podem mudar no mesmo período. A análise mais consistente distingue o aumento documentado do tributo de outras alterações que influenciam o preço de venda.
Para fevereiro de 2027, os valores oficiais de referência continuam sendo R$ 1,64 por litro de gasolina, R$ 1,30 por litro de diesel e R$ 1,54 por quilo de gás de cozinha. A possibilidade de revisão do diesel deverá ser acompanhada por atos formais do Confaz. Até lá, os cálculos apresentados mostram o tamanho do acréscimo tributário previsto, sem antecipar quanto cada consumidor efetivamente pagará.
Fontes oficiais consultadas
3. Comsefaz — Nota sobre atualização do ICMS dos combustíveis, 28/10/2026
5. Comsefaz — Alíquotas em vigor a partir de janeiro de 2026
6. Câmara dos Deputados — Lei Complementar nº 192/2022, texto atualizado
7. ANP — Levantamento de preços de combustíveis, últimas semanas
8. Receita Federal — Entenda a Reforma Tributária do Consumo e seu calendário
Esta reportagem tem caráter informativo e foi elaborada com base nas normas e fontes oficiais consultadas em 4 de novembro de 2026. As simulações expressam apenas a diferença da parcela de ICMS, sob hipótese de repasse integral. Não são previsões de preços de combustíveis ou de gás de cozinha. Eventual revisão da alíquota de diesel depende de decisão e publicação oficiais.
