BRASÍLIA/DF — Empresas que emitem Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) e Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e) precisarão adequar seus sistemas a uma mudança no processo de autorização dos documentos fiscais. A Nota Técnica 2023.002, versão 1.02, publicada em outubro de 2026, estabelece o encerramento da modalidade assíncrona a partir de 5 de abril de 2027. Após a implantação, as solicitações deverão ocorrer exclusivamente pelo procedimento síncrono.
A atualização também prevê a desativação dos serviços de inutilização de numeração em Acre, Bahia e São Paulo ainda neste ano. Apesar de constarem do mesmo documento técnico, as medidas possuem prazos e abrangências diferentes, exigindo atenção de desenvolvedores, fornecedores de sistemas de gestão, empresas e profissionais contábeis.
Quando termina a autorização assíncrona da NF-e e NFC-e?
O cronograma da versão 1.02 prevê implementação em ambiente de testes até 1º de fevereiro de 2027 e entrada em produção em 5 de abril de 2027. A medida abrange os documentos modelos 55, correspondente à NF-e, e 65, utilizado na NFC-e.
Até a entrada da nova validação em produção, os emissores devem acompanhar as regras vigentes em seus ambientes autorizadores. A data programada não significa que todas as solicitações transmitidas antes dela serão automaticamente modificadas, mas exige que a adequação esteja concluída quando a nova exigência passar a valer.
Qual é a diferença entre autorização síncrona e assíncrona?
Na autorização assíncrona, o sistema envia a solicitação e recebe inicialmente um recibo para consultar depois o resultado do processamento. Esse modelo exige acompanhamento posterior do lote e tratamento das respostas da Secretaria da Fazenda responsável pela autorização.
No procedimento síncrono, o retorno da análise é recebido na própria interação de autorização, eliminando a etapa adicional de consulta ao recibo típica do fluxo assíncrono. Isso não significa autorização garantida nem ausência de rejeições: a Sefaz continuará verificando o documento e poderá recusá-lo quando identificar inconsistências.
A alteração afeta principalmente a integração dos programas emissores com os serviços de autorização. Empresas que utilizam soluções contratadas devem verificar se os fornecedores já planejaram a atualização.
Qual será a rejeição para quem continuar usando o modelo antigo?
A nota técnica cria a regra de validação GAP03a-6, que rejeita solicitações assíncronas de NF-e e NFC-e quando o campo de indicação de sincronismo, identificado como indSinc, estiver preenchido com zero.
Nessa situação, a autorização poderá retornar o código 129, acompanhado da mensagem: “A autorização deve ser solicitada de forma síncrona”. O erro não significa necessariamente irregularidade tributária do emissor ou do destinatário, mas incompatibilidade entre a solicitação enviada e o novo procedimento exigido.
Também permanece prevista a rejeição de lotes contendo mais de uma NFC-e. Essa limitação é própria do modelo 65 e não deve ser confundida com uma proibição genérica de todos os lotes de NF-e.
Quais estados deixarão de aceitar a inutilização de numeração?
A segunda mudança da nota técnica alcança exclusivamente Acre, Bahia e São Paulo. Nesses estados, os serviços de inutilização de numeração de NF-e e NFC-e serão desativados tecnicamente em 11 de novembro de 2026, conforme o cronograma dos ambientes de homologação e produção.
Os Ajustes SINIEF nº 38/2026 e nº 40/2026 disciplinam a dispensa do pedido de inutilização nesses estados, com efeitos normativos a partir de 1º de novembro. Assim, há diferença entre o início da regra jurídica e a data indicada para o bloqueio técnico do serviço.
A medida não autoriza emissão desordenada de números nem elimina os demais controles fiscais. Também não significa extinção nacional do procedimento: nas outras unidades da Federação, devem ser observadas as regras aplicáveis.
O que ocorrerá se o sistema tentar inutilizar números após a desativação?
Para pedidos destinados a Acre, Bahia ou São Paulo, a nova validação I01a prevê a rejeição 998, com a descrição “Serviço Desativado”. A documentação também informa que a tentativa de acessar o endereço eletrônico poderá resultar em erro HTTP 404, indicando que o serviço não está disponível.
Esses retornos não devem ser tratados automaticamente como instabilidade temporária da Sefaz. Os softwares precisarão identificar a unidade federada e impedir solicitações indevidas, orientando o usuário sobre o procedimento correto.
Produtores rurais e emissão por CPF continuam contemplados?
A Nota Técnica 2023.002 surgiu para permitir a emissão de NFC-e por produtores rurais pessoas físicas com inscrição estadual vinculada ao CPF. Essa possibilidade permanece na documentação, inclusive por sistemas próprios ou pelo aplicativo Nota Fiscal Fácil, observadas as condições de cada modalidade.
No software próprio, a especificação prevê utilização de certificado digital e-CPF e séries reservadas para emissão pelo contribuinte. A versão 1.02 incorpora as alterações de autorização e inutilização sem transformar o documento em uma regra exclusiva para produtores rurais.
O que empresas e desenvolvedores precisam fazer antes de 2027?
Os responsáveis pelos sistemas devem verificar o uso do campo indSinc, testar o fluxo síncrono e revisar a forma de interpretar respostas de autorização e rejeições. Também é necessário conferir os mecanismos de repetição segura de solicitações em casos de falha de conexão, evitando duplicidade de documentos.
Uma etapa útil é simular, no ambiente de homologação, situações de autorização, rejeição, indisponibilidade de conexão e posterior consulta da situação do documento. O objetivo é assegurar que a mudança no retorno do serviço não interrompa faturamento, expedição de mercadorias ou operações de caixa. Os testes devem registrar os códigos de resposta recebidos e demonstrar que o sistema não volta a solicitar processamento assíncrono em rotinas automáticas.
Para empresas estabelecidas em Acre, Bahia e São Paulo, a revisão deverá alcançar os processos de inutilização de numeração e as mensagens apresentadas ao operador. Escritórios contábeis podem auxiliar na identificação de emissores desatualizados e no acompanhamento das datas de implantação.
A mudança não cria novo imposto nem altera, por si só, o cálculo de IBS e CBS. Seu efeito direto está no funcionamento dos documentos fiscais eletrônicos: o objetivo é assegurar que a emissão continue compatível com as validações exigidas pelas administrações tributárias.
Fontes oficiais consultadas
2. Portal da Nota Fiscal Eletrônica — Busca oficial da NT 2023.002 v1.02 e descrição das alterações
3. Portal Nacional da NF-e — Notas técnicas e demais documentos oficiais
4. Portal da Nota Fiscal Eletrônica — Manual de Orientação do Contribuinte e documentação dos serviços
Esta reportagem possui caráter informativo e foi elaborada com base na regulamentação e nas fontes oficiais consultadas na data da publicação desta matéria. Os cronogramas e as regras operacionais devem ser acompanhados nos portais oficiais, pois podem receber atualizações.




