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Plataforma Pública do Split Payment: a engrenagem que liga nota fiscal, pagamento e imposto

Corredor de data center com servidores iluminados representa a infraestrutura da Plataforma Pública do Split Payment
A plataforma conecta documentos fiscais, instituições de pagamento, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS.

BRASÍLIA/DF — Por trás do split payment existe uma infraestrutura pública que conecta documentos fiscais, instituições de pagamento, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS. É a Plataforma Pública do Split Payment, que entrou em testes de integração em outubro de 2026 e será a base para a separação automática do IBS e da CBS na liquidação das transações.

Em textos anteriores sobre a Reforma Tributária, essa engrenagem chegou a ser chamada de Registro de Operações de Consumo, ou ROC. A denominação adotada nos comunicados oficiais, porém, é Plataforma Pública do Split Payment, cuja documentação técnica está disponível nos canais da Receita Federal e do Comitê Gestor.

O que é a Plataforma Pública do Split Payment?

É o ambiente tecnológico que permite às instituições de pagamento consultar e comunicar informações necessárias à segregação dos tributos. A plataforma funciona como infraestrutura de comunicação entre os prestadores de serviço de pagamento, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS.

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Seu objetivo é reduzir a distância entre a operação comercial, o pagamento e o recolhimento do imposto. Sem esse elo, o prestador de pagamento não teria como saber quanto do valor liquidado corresponde a tributo ainda devido.

Como a plataforma se encaixa no split payment?

No procedimento padrão previsto no art. 32 da Lei Complementar nº 214/2025, o prestador de serviço de pagamento deve consultar o sistema da Receita e do Comitê Gestor antes de liberar os recursos ao fornecedor. A resposta indica o valor a segregar, que é a diferença entre os débitos destacados no documento fiscal e as parcelas já extintas.

A plataforma é o canal dessa consulta. Ela recebe a identificação da operação, cruza com os dados dos documentos fiscais eletrônicos e devolve o montante a ser recolhido.

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Quais informações circulam pela plataforma?

A base do processo é a vinculação entre o documento fiscal eletrônico e a transação de pagamento. O originador do pagamento, que pode ser o fornecedor, o adquirente ou a plataforma digital, transmite ao prestador os dados que permitem essa vinculação e a identificação dos débitos de IBS e CBS.

Quando o pagamento é iniciado pelo recebedor, como em boletos e QR Code dinâmico, a vinculação pode ser feita pelo próprio documento fiscal. Os manuais de integração detalham os formatos de mensagem e os protocolos de segurança.

O que acontece se a consulta falhar?

A LC nº 214/2025 prevê uma regra de contingência. Se a consulta não puder ser feita, a instituição segrega e recolhe o valor integral dos débitos informados. Depois, a Receita e o Comitê Gestor calculam o valor efetivamente devido e devolvem o excesso ao fornecedor em até três dias úteis.

Esse mecanismo evita que a indisponibilidade do sistema impeça a liquidação das vendas, mas pode reter temporariamente recursos acima do necessário.

Em que fase está a implantação?

A Receita Federal iniciou em 15 de outubro de 2026 a primeira fase de testes de integração entre prestadores de pagamento e a plataforma. Os testes ocorrem em ambiente controlado, sem processamento definitivo de transações reais e sem penalidades para os participantes.

O cronograma divulgado para 2027 prevê testes com operações reais no primeiro semestre e disponibilização gradual a partir de agosto. O Decreto nº 12.955/2026 estabelece a implantação em etapas e permite hipóteses de uso facultativo.

Por que a plataforma importa para as empresas?

A qualidade dos dados enviados nos documentos fiscais passa a afetar diretamente o caixa. Destaques incorretos, falhas na vinculação com o pagamento ou classificações tributárias erradas podem levar a retenções maiores ou a saldos a pagar depois.

Para as empresas, preparar-se para a plataforma significa revisar emissores de notas, cadastros de produtos e integração com as instituições de pagamento, além de montar rotinas de conciliação entre o que foi faturado, recebido e recolhido.

Fontes oficiais consultadas

1. Planalto — Lei Complementar nº 214/2025, texto compilado, arts. 31 a 35

2. Câmara dos Deputados — Decreto nº 12.955/2026, texto atualizado, arts. 28 a 33

3. Receita Federal — Comunicado sobre testes da Plataforma Pública do Split Payment

4. Comitê Gestor do IBS — Documentação da Plataforma Pública do Split Payment

5. Receita Federal — Atos Técnicos Conjuntos RFB/CGIBS sobre a Plataforma Pública

Esta reportagem tem caráter informativo. As normas e orientações oficiais foram consultadas na data da publicação desta matéria. O cronograma de implantação do split payment depende de atos conjuntos da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS e pode sofrer ajustes.

O Radar da Reforma Tributária é um portal especializado na Reforma Tributária do consumo. Explicamos, em linguagem clara e com base nas fontes oficiais (EC 132/2023, LC 214/2025, regulamentos, atos da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS), o que muda com o IBS, a CBS, o Imposto Seletivo, o Split Payment e o Simples Nacional, e como isso afeta empresas, contadores e cidadãos. Conheça nossa Política Editorial e saiba mais sobre o Radar.