BRASÍLIA/DF — A Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) poderá ser recebida pelo Ambiente de Dados Nacional (ADN) mesmo quando o documento não apresentar o grupo de informações do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A orientação foi divulgada pelo Comitê Gestor da NFS-e (CGNFS-e) na quinta-feira (29 de outubro) e vale inclusive para contribuintes que já estejam sujeitos à obrigação de informar os novos tributos.
A flexibilização busca evitar que falhas de adaptação tecnológica interrompam a emissão de notas fiscais durante a transição da reforma tributária. O Comitê, entretanto, fez uma ressalva: a aceitação técnica do documento não significa dispensa do preenchimento obrigatório, quando exigido pela regulamentação, nem assegura que uma nota com outros erros será autorizada.
A NFS-e sem IBS e CBS será rejeitada pelo ADN?
Não pelo simples fato de o grupo tributário estar ausente. Segundo o comunicado oficial, o ADN foi configurado para receber documentos fiscais sem essas informações, inclusive nos casos abrangidos pelo cronograma de obrigatoriedade estabelecido pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS.
Na prática, uma prestadora de serviços que ainda não conseguiu incluir o grupo IBS/CBS em seu emissor não terá a nota recusada automaticamente apenas por essa omissão. A medida reduz o risco de paralisação do faturamento e permite que empresas, municípios e fornecedores de software continuem a ajustar seus sistemas.
A orientação trata de um motivo específico de rejeição. Ela não representa garantia irrestrita de autorização, porque as demais regras aplicáveis ao documento permanecem relevantes.
Por que a ausência dos campos não significa dispensa fiscal?
Há duas questões diferentes: a obrigação de prestar informações tributárias e a validação automática realizada pelo sistema. A primeira decorre das normas aplicáveis a cada contribuinte e operação; a segunda determina se o arquivo eletrônico será tecnicamente recebido ou recusado.
O CGNFS-e esclareceu que a recepção de uma NFS-e sem o grupo IBS/CBS não afasta o dever de observar os prazos legais. Assim, uma empresa que já deva informar os campos pode apresentar desconformidade fiscal mesmo quando a nota for aceita pelo ADN.
Em orientação anterior, de agosto de 2026, o próprio Comitê advertiu que a ausência das informações poderia sujeitar o emissor às consequências previstas no Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026, conforme seu enquadramento. Não se deve, portanto, confundir ausência de rejeição com autorização para ignorar a obrigação.
O que acontece quando a empresa preenche o grupo IBS/CBS?
Se o prestador decidir informar os campos — por obrigação ou voluntariamente —, deverá respeitar a estrutura técnica prevista para o preenchimento. O sistema exigirá os códigos, as classificações tributárias e as demais informações vinculadas aos campos enviados.
O comunicado destaca que os dados do adquirente ou destinatário também precisam estar completos quando o tipo de operação exigir essa identificação. Isso alcança empresas que antecipam sua adaptação, mesmo que seu segmento ainda não tenha chegado à data prevista no cronograma de obrigatoriedade.
O efeito prático é importante: omitir todo o grupo não provoca a rejeição técnica específica anunciada pelo Comitê, mas enviar informações incompletas ou incompatíveis pode acionar validações aplicáveis aos campos apresentados. Por isso, a parametrização dos códigos tributários não deve ser feita apenas para completar espaços no sistema.
Quais são os prazos para informar IBS e CBS na NFS-e?
O calendário não é único para todos os emissores. Conforme orientação oficial publicada em agosto, determinados serviços sujeitos ao ISS passaram a observar a obrigatoriedade em 1º de outubro de 2026. Outros grupos, como plataformas digitais e operações específicas, têm marco previsto para 1º de dezembro, de acordo com o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026.
A regulamentação também contempla regras próprias para situações relacionadas ao Simples Nacional. Por isso, não é correto concluir que todas as empresas ficaram dispensadas do preenchimento até o fim de dezembro ou que todos os prestadores seguem exatamente o mesmo calendário.
A orientação de não rejeição divulgada em outubro precisa ser lida junto dessas datas e das características de cada operação. O prazo de obrigação e a configuração de validação são aspectos distintos.
Qual leiaute da NFS-e está em produção atualmente?
O CGNFS-e informou que o ambiente oficial de produção utiliza o leiaute baseado na Nota Técnica nº 004, acrescido do domínio do campo tpRetPisConfins previsto na Nota Técnica nº 007. Essa é a referência técnica indicada para as emissões fiscais efetivas na data do comunicado.
O esclarecimento é relevante porque a Nota Técnica nº 009 também reúne mudanças importantes para a NFS-e, mas suas versões estão sendo implantadas gradualmente. Confundir documentos publicados para testes com o padrão já exigido em produção pode resultar em arquivos incompatíveis ou adaptações precipitadas.
Desenvolvedores e equipes fiscais devem conferir os esquemas efetivamente liberados no ambiente correspondente antes de realizar alterações em sistemas de emissão ou integração.
A Nota Técnica 009 já é obrigatória em produção?
Não em sua integralidade, conforme a situação informada pelo Comitê em 29 de outubro. Naquela data, o leiaute da NT 009, versão 1.0, identificado como release 1, estava disponível em produção restrita para testes no emissor web e na API.
O CGNFS-e prevê a liberação gradual de novos releases e informou que as etapas 1 a 3 deverão chegar à produção em 1º de dezembro de 2026. Até a formalização de cada implantação, o ambiente de testes não substitui o leiaute oficial para documentos com efeitos fiscais.
O Comitê recomenda aproveitar a produção restrita para validar integrações e corrigir inconsistências antes da disponibilização das novas especificações no ambiente de produção. A data planejada deve ser acompanhada nos comunicados oficiais, sem antecipar a entrada em vigor de versões ainda não liberadas.
A orientação também vale para sistemas próprios das prefeituras?
Sim. As regras divulgadas alcançam os municípios que utilizam emissores próprios integrados ao Ambiente de Dados Nacional. Se o contribuinte informar o grupo IBS/CBS em uma dessas plataformas, as verificações técnicas também poderão exigir os códigos correspondentes e os dados cadastrais aplicáveis ao tomador do serviço.
O CGNFS-e solicitou que as administrações tributárias municipais orientem os prestadores e atualizem seus sistemas para o padrão vigente, especialmente a combinação das Notas Técnicas nº 004 e 007. O objetivo é evitar divergências entre o emissor local e os arquivos recebidos no ADN.
Para os municípios, isso exige atenção não apenas ao desenvolvimento de software, mas também à comunicação com contribuintes e escritórios contábeis, que precisam conhecer os campos necessários antes de transmitir a nota.
Uma NFS-e aceita pelo sistema pode ter outras irregularidades?
Pode. A aceitação da nota demonstra que ela superou as verificações técnicas aplicáveis àquela transmissão, mas não constitui confirmação de que o tratamento tributário, a identificação do tomador ou os dados da operação estejam corretos em todos os aspectos.
Erros em campos obrigatórios de outra natureza, combinações inválidas e problemas cadastrais continuam sujeitos às regras pertinentes. A orientação sobre o grupo IBS/CBS não impede rejeições por motivos diferentes, tampouco substitui a revisão fiscal da operação.
Uma nota aceita sem o grupo tributário deverá ser analisada de acordo com o enquadramento do prestador, a data da operação e as obrigações em vigor. É essa análise que permite diferenciar uma emissão tecnicamente válida de um documento efetivamente conforme à legislação.
O que empresas e contadores devem fazer agora?
O primeiro passo é identificar quando o contribuinte passou ou passará a estar obrigado a informar IBS e CBS na NFS-e. Em seguida, é necessário conferir se o sistema utilizado está alinhado ao leiaute de produção, sem confundir alterações em homologação com recursos já disponíveis para emissão oficial.
Quando o grupo tributário for preenchido, devem ser conferidos os códigos, as classificações e os dados do adquirente ou destinatário exigidos para a operação. Também convém acompanhar as mensagens de retorno do emissor e os comunicados do Portal Nacional da NFS-e sobre novas versões dos esquemas técnicos.
A decisão do Comitê oferece continuidade operacional durante a adaptação, mas não encerra a implementação da reforma tributária nos serviços. O acompanhamento dos prazos, das regras fiscais e das atualizações do ADN continua essencial para a correta emissão das notas.
Fontes oficiais consultadas
5. Portal Nacional da NFS-e — Biblioteca de documentação técnica oficial
Esta reportagem tem caráter informativo e considera a legislação e as orientações oficiais consultadas na data da publicação desta matéria. A obrigação de preenchimento e a incidência de eventuais consequências fiscais dependem do enquadramento do contribuinte e das regras vigentes para cada operação.




